Lara Romero está em ação. Na cena, ela discute com a filha que se nega a chamá-la de mãe por muitos motivos do passado. A dramaticidade é muito grande, mas logo o diretor manda cortar a cena para que as atrizes se
recolocassem na cena. Foi assim que Agnaldo Silva começou a mostrar a vida de mais uma personagem vivida por Suzana Vieira, dessa vez na minissérie 'Cinquentinha' (Globo, 23h). Não bastasse a incrível coincidência da trama (que são muitas, até a mudança de nome por conta da atividade artística), diria que a Susana Vieira estaria intepretando ela mesma em cena.
Mas não é só isso. E a Marília Gabriela? Também mostrou a que veio, repetindo a dose numa cena em que aparece beijando um homem bem mais jovem do que ela. Mera coincidência? Não creio. Suzana Vieira interpretando ela mesma, Marília Gabriela tendo 'quedas' por homem mais novos...É a vida imitando a arte, ou seria a arte imitando a vida?
Críticas à parte, a nova minissérie da Tv Globo trouxe uma dose de humor adequada à trama, coisa que Agnaldo Silva não costuma fazer em suas obras. Em seu blog, o autor disse que se inspirou em seriados americanos para compor a história de três viúvas que recebem a missão de administrar a fortuna herdada do ex-marido vivido por José Wilker. 'Depois de ver, com olhos de estudioso, a maioria dos seriados americanos lançados em DVD nos últimos três anos, decidi que já podia me exercitar no gênero, que, vamos ser francos,
é muito maltratado aqui no Brasil. O que temos no ar não são seriados e sim arremedos. Eu queria fazer uma coisa que pudesse ser considerada realmente do gênero. Foi para isso que planejei Cinquentinha', revelou o autor em entrevista no seu blog.
E a Betyy Lago? Que me desculpe a Marília Pera (que recusou o convite para fazer a rippie contemporânea interpretada por Betty Lago), mas a veia cômica da atriz talvez seja um dos grandes acertos de Agnaldo Silva. Betty completa os três estereótipos pensados por Agnaldo Silva: a perua metida a atriz, a coroa enxuta que pensa ser 'imortal' e a riponga 'paz e amor', que deseja o bem de todos. Se o autor queria mostrar uma história nova, com uma pitada de humor e ingredientes retirados de série norte-americanas, ele conseguiu.
Agora, ninguém consegue me convencer de que a Suzana Vieria é ela mesma ali, retrando um pouco da sua vida e seus dramas. Marília Gabriela também não consegue disfarçar e esbarra na sua 'vida real'. Quem se salva mesmo é a Betty Lago, a mais louca da trama e, talvez, a que conseguiu distinguir ficção da realidade. Inspirar-se em uma pessoa para representá-la é uma coisa, agora autorrepresentar-se em cena é outra.