Atualizada às 16h54
Após um dia inteiro de protestos, que resultaram na intedição da rodovia PA 481 e VP 80, que dão acesso à Vila dos Cabanos e ao complexo industrial de Barcarena, região metropolitana de Belém, os manifestantes liberaram as pistas ainda na noite da terça-feira (28), mas prometem retomar os protestos nesta quarta-feira (29). Eles exigem providências da empresa Alunorte e indenizações pelos prejuízos ocasionados pelo vazamento de um componente de cor vermelha, que deixou a água com cheiro forte.
O protesto foi encerrado no final da noite de ontem e, segundo ao centro comunitário da comunidade Barajuba, reuniu mais de mil moradores de pelo menos oito comunidades que ficam no entorno da empresa Alunorte e que são abastecidas pela água que foi contaminada. 'Nos ficamos sem ter água pra beber e para tomar banho. Somos agricultores. E agora? Para quem vamos vender as nossas plantações, que estão contaminadas?', reclama a líder da comunidade Burajuba, Maria do Socorro Costa da Silva.
Segundo ela, o protesto teve reforço de alguns integrantes do MST. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra negou que tenha participado do protesto.
Os manifestantes querem que a empresa responsável pelo vazamento arque com os prejuízos da comunidade. Ontem, peixe apareceram mortos no rio Murucupi, que corta a área.
As lideranças comunitárias ainda não contablizaram quantas comunidades foram atingidas pela contaminação, mas pelo menos oito estão confirmadas. São elas: Itupanema, Laranjal, Vila Nova, Pioneiro, Burajuba, Boa Vista, Cajueiro e São lourenço.
Hoje à tarde os manifestantes vão até o Ministério Público Federal formalizar uma denúncia contra a empresa, pela contaminação da água. 'Vamos levar um documento contendo todos os prejuízos que a contaminação causou e pedir providências aos responsáveis', disse a líder comunitária.
Antes disso, as comunidades devem fazer mais um protetos na área, desta vez na avenida Padre Casemiro.
Caso - A Sema confirmou que recebeu, às 10h28, de ontem, um telefonema, oficial, de um gerente da área de meio ambiente da Alunorte, informando sobre a denúncia dos moradores. Segundo a Sema, no telefonema, a empresa informou a mudança de cor da água do entorno da usina.
Uma outra informação de um técnico da Secretaria Municipal de Barcarena, consultado nesta manhã pela gerência de Áreas Degradadas da Sema, confirmou alterações na cor da água do rio Murucupi.
Três técnicos da Sema foram enviados ao município para fazer os levantamentos necessários e detalhar as causas e as vistorias de praxe, segundo manda a legislação ambiental em vigor. Equipes da Dema (Delegacia de Meio Ambiente) e Instituto 'Renato Chaves' também farão vistorias no local.
Em nota, a Alunorte informou que em função das fortes chuvas ocorridas ontem em Barcarena, um dos canais de coleta de água da chuva transbordou, mas que não foram constatados danos ao meio ambiente, ocorrendo apenas a presença de material sólido no rio Murucupi.
A empresa informou ainda, que, mesmo assim, adotou medidas e procedimentos de contingência e está fazendo o monitoramento e análise do solo e da água do rio.
De acordo com análises feitas pelos técnicos da Alunorte, nunca havia sido registrado um índice pluviométrico tão elevado em tão pouco espaço de tempo: foram 105 mm em apenas uma hora e meia.