Atualizada às 13h57
Várias personalidades da capital paraense demostraram pesar com a morte do escritor, político e jornalista Benedicto Monteiro, na manhã desta segunda-feira(16). Todos foram unânimes em considerar Monteiro insubstituível.
Benedito Wilson Sá, membro da Acadêmia Paraense de Letras, chegou a comparar a atitude de Benedito a de Sócrates. 'Tal qual Sócrates, que mesmo diante do olhar de aço do carrasco, aprendia uma ária. Benedicto, já combalido pela doença que lhe vergava a parte física, ainda lançava obras literárias. Ele só não esteve presente porque na véspera foi recolhido a uma UTI de hospital', afirma o amigo, fazendo referência ao lançamento do livro 'O Homem Rio'.
Ainda de acordo com ele, Benedicto não só conhecia a história do Pará como fez parte dela. 'O Brasil e, principalmente o Pará, perde uma das expressões mais relevantes da política e literatura da sua história. Foi o homem que não conheceu tempo ruim para brigar por seus ideias, bem como para expressar a alma do homem Amazônida, coisa que fez com maestria ímpar, a exemplo de Dalcídio Jurandir e Ingês de Souza'.
Já o escritor João Carlos Pereira, lembrou de uma frase dita pelo amigo, 'A constituição que eu ajudei a escrever'. Benedicto ajudou a redigir a atual Constituição Brasileira.
Segundo ele, Benedicto foi um político de muita respeitabilidade. 'Ele era sério, o que não é comum na política', disse Pereira. Como literato 'Ele foi um romancista extraordinário, escreveu cerca de 20 livros, sempre falando de uma Amazônia universalizada, e como, jornalista. ele tinha voz atuante, era uma fonte confiável'.
A defensoria pública do Estado também lamentou a perda de seu fundador através de nota divulgada à imprensa nesta segunda-feira (16). A defensoria definiu o autor como pioneiro no ato que garante até os dias de hoje o acesso à justiça aos cidadãos mais carentes.
Personalidade - Nascido no município de Alenquer, Benedito era escritor, advogado, jornalista e político reconhecido nacional e internacionalmente pela sua luta pela democracia e ligação com os movimentos que combateram o regime militar.
Durante vários anos, foi articulista de O Liberal. Foi preso e torturado pela ditadura, mas nunca chegou a ser exilado. Foi um dos mais importantes escritores paraenses do século 20, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e da Academia Paraense de Jornalismo.
Sua obra inclui mais de 20 livros publicados, alguns deles com tradução para holandês, francês e alemão. Entre eles, 'Bandeira Branca', 'O Carro dos Milagres', 'Maria de Todos os Rios', 'A Terceira Dimensão da Mulher', 'Cancioneiro de Dalcídio', 'Prosa e Poesia', 'O Transtempo', a teatralogia 'Verdevagomundo', 'O Minossauro' e 'Aquele Um'. O autor também editou 'A História do Pará', em parceria com as ORM (Organizações Rômulo Maiorana) e voltado ao público infanto-juvenil, e organizou o projeto 'Alfabetização Ecológica'.