'Gráfica Contemporânea' une brasileiros, canadenses e holandeses
A obra desenvolvida a partir das interferências numa matriz, trabalho que pode servir de estímulo para novas formas de expressão da arte, utilizando desde técnicas tradicionais de gravura, passando pela fotografia e vídeo até a tecnologia digital. Assim pode ser definido o ambiente da exposição 'Gráfica Contemporânea', que reúne trabalhos de 27 artistas, entre paraenses, paulistas, canadenses e holandeses, na galeria de arte do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (Ccbeu), e pode ser visitada até o dia 30 de junho. O curador da exposição, o artista plástico Armando Sobral, é o responsável pelo 'intercâmbio cultural' presente na exposição e afirma que as obras dos artistas paraenses não apresentam grandes contrastes se comparadas às outras. 'A produção está nivelada em técnica, pesquisa, qualidade. Em todas se percebe a mesma inquietação e a força da imagem', anuncia Armando. No dia 28, ele senta com o público visitante, a partir das 18h, para conversar sobre como se desenvolveu o trabalho que culminou na mostra. 'Gráfica...' é uma realização do Instituto de Artes do Pará (IAP) em parceria com o Ccbeu.
A exposição, que começou no início do mês, procura mostrar a evolução da gravura enquanto linguagem artística. 'Essa é uma forma que evoluiu muito de uns tempos pra cá, e mostras como essa podem estimular mais movimentos que explorem a gravura. Eu fiquei muito gratificado em ver que as produções paraense e paulista não devem nada às obras holandesas e canadenses. E os próprios artistas de fora perceberam isso, ainda que com alguma surpresa, e ficaram deslumbrados. Prova disso é que, além do grupo holandês programado para participar da exposição, vieram mais três artistas de lá voluntariamente, para acompanhar o projeto, que também contou com mini-cursos e oficinas', explica o curador da mostra.
Questionado sobre quantas obras estão à mostra para a exposição, Armando confessa que não sabe dizer ao certo. 'São tantas...! Às vezes, um artista chega com 21 peças, aí fica difícil não perder a conta', diz. No total, são 18 artistas brasileiros, entre paulistas e paraenses (Evandro Carlos Jardim, Regina Silveira, Marco Buti, Ulysses Bôscolo de Paula, Paulo Camillo Penna, Ernesto Bonato, Fabrício Lopes, Claudio Mubarac, Armando Sobral, Pablo Mufarrej, Jean Ribeiro, Alexandre Sequeira, Jocatos, Junior Tutiya, Ronaldo Moraes Rego, Cláudio Assunção, Eduardo Kalif, Miguel Chikaoka), cinco holandeses (Paul Donker Duyvis, Erik Fliek, Lego Lima, Elma Oosterhoff, Hanna de Haan) e quatro canadenses (Jeanne de Chantal Côté, Giorgia Volpe, Lise Vézina-Beltrami, Eveline Boulva).
Segundo Armando, essa união de artistas brasileiros e estrangeiros começou com o ateliê Piratininga, que funciona em São Paulo, e do qual ele é um dos fundadores. O local oferece cursos, palestras e promove intercâmbio cultural entre artistas, sempre visando à difusão e o desenvolvimento da linguagem gráfica. 'A minha formação (ele é graduado pela Fundação Armando Álvares Penteado) é de São Paulo e esse ateliê foi feito justamente com a intenção de promover a cultura e confrontar a produção local com a produção de artistas de outros locais, dentro e fora do Brasil. Nesse caso, esses artistas holandeses e canadenses estão fazendo um intercâmbio ao participar dessa exposição, confrontando a produção deles com a experiência e o conhecimentos dos artistas daqui'. No mês que vem, será a vez de Armando levar as obras paraenses para fora: as gravuras feitas aqui serão expostas na Galeria Brasileira, em São Paulo.
Em outubro desse ano, Armando deve participar, em Amsterdã, de um workshop sobre o tema, uma repetição de um trabalho feito há pouco tempo por artistas holandeses com crianças e adolescentes do subúrbio da capital holandesa, intitulado 'Images Speak'. 'Além da minha formação como artista plástico, eu tenho um trabalho que tende pro lado educacional, como por exemplo a instalação que fiz do ateliê de gravura da Fundação Curro Velho, em 2001. Acho que dá pra levar isso pra esse lado, e isso tem que ser feito pelos artistas plásticos, porque é uma atividade que dificilmente será incluída nas grades curriculares das escolas. A arte, especialmente quando se fala em imagem, pode assumir várias formas: política, democrática, crítica, o que pode ajudar a desenvolver a curiosidade pela ação, pela ruptura com preconceitos'.