Hipertensa, diabética e cardiopata, a dona de casa Maria da Glória Nery, de 62 anos, necessita de quatro medicamentos. Há anos ela faz o tratamento no Pronto-Socorro da Cidade Nova IV, em Ananindeua, onde, segundo ela, os remédios não são mais disponibilizados e até mesmo as receitas são prescritas por uma auxiliar de enfermagem.
Dona Maria da Glória conta que está matriculada no Pronto-Socorro da Cidade Nova para receber os medicamentos para as doenças que tem. Trata-se da Carmazepina de 200mg, do Imipramina de 25mg, do Aldol gotas e do Diazepam. Todos controlados e que deveriam ser disponibilizados pela farmácia do Pronto Socorro, mediante receita especial. No entanto, há três meses os medicamentos não são encontrados. "Há três meses que eu não consigo tomar os remédios porque todas as vezes em que eu vou na farmácia a resposta é sempre a mesma: não tem e nem tem previsão de quando vai ter", reclama.
Ela diz que também estranhou o fato de as últimas vezes que foi ao hospital para se consultar, quem a atendeu foram enfermeiros ou auxiliares, que sempre informam que a médica não está. "Hoje (ontem) de manhã eu fui para me consultar e a auxiliar de enfermagem só fez me entregar uma receita", revela a paciente.
RECEITA
Ela informou que a auxiliar de enfermagem, que não foi identificada, deu-lhe a receita azul e usou o carimbo da médica Antônia N. Dias Ferreira, que não estava presente durante a consulta. "Nunca vi ninguém ser consultada por um auxiliar de enfermagem. E o fato de ela ter me dado a receita e ter usado o carimbo da médica me deixou ainda mais intrigada", ressalta dona Maria da Glória.
Em nota, a assessoria informou que a denúncia de falta dos medicamentos Carbamazepina, Aldol, Diazepam e Imipramina na Unidade Municipal de Saúde da Cidade Nova IV não procede, pois os remédios estão disponíveis na Unidade. A Secretaria esclarece, ainda, que a receita foi prescrita pela médica e não pela enfermeira.