Membros da diretoria do Sindicato dos Rodoviários de Belém se reuniram, ontem à noite, no Ministério Público do Trabalho (MPT), para denunciar a empresa Belém-Rio pelo não pagamento de horas extras e a falta de estrutura nos locais de trabalho. Alguns motoristas também estariam trabalhando sem carteira assinada. Os trabalhadores alegam que são obrigados a cumprir uma carga horária de até 15 horas por dia e que a empresa se recusa a aceitar atestados médicos prescritos por médicos do sindicato. A reunião investigativa foi presidida pela procuradora Cintia Nazaré Pantoja Leão.
Alegando não ter conhecimento da audiência, a empresa de ônibus não mandou representante à reunião no MPT, mas refuta, com documentos, as acusações dos trabalhadores. Os dirigentes do sindicato informaram que a empresa dispõe de 129 ônibus, responsáveis por cobrir nove linhas urbanas: Sacramenta/ Nazaré, Médici/ Presidente Vargas, Satélite/ Ver-o-Peso, Satélite/ Felipe Patroni, Satélite/ UFPA, Cabanagem/ Presidente Vargas, Ceasa/ Felipe Patroni, Ceasa/ Ver-o-Peso e Telégrafo.
"A empresa não oferece água aos trabalhadores e nem papel higiênico. Se você for até o fim da linha da Cabanagem, vai ver que os ônibus e os trabalhadores ficam na rua, porque não tem nenhum local próprio para abrigar ninguém", denunciou. Ainda segundo Vilhena, esta é a quinta denuncia feita pelo sindicato contra a empresa Belém-Rio, desde o início do ano.
O gerente de Manutenção da empresa Belém-Rio, Joselito Pereira, diz que tem documentos e notas fiscais comprovando que a empresa rodoviária oferece até 1,4 mil litros de água mineral, semanalmente, para os trabalhadores; que oferta material de higiene pessoal; e que R$ 28 mil são voltados para o pagamento de horas extras dos funcionários todos os meses. "Eles fazem, no máximo, nove horas extras por semana e são pagos pela empresa. A Belém-Rio tem uma ação contra o sindicato pela forma desrespeitosa que se comporta e pelos transtornos que vem causando, por conta das paralisações nos últimos quatro meses", disse.