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12/01/2009 às 13h00
O medo da violência

Todos os dias quando compro os jornais o primeiro caderno que separo é o de polícia. Não sei direito quando isso começou, mas sei que separo com certo receio de que alguém próximo esteja estampado naquelas terríveis manchetes e fotos sangrentas.

 

Acredito que esse medo não seja só meu a julgar pelos crimes terríveis que vemos nas páginas policiais. Bandido que mata policial, civis que matam bandidos. E os tais seqüestros relâmpagos? Difícil não encontrar uma pessoa que tenha sido vítima desse crime. Sempre que estou chegando em casa o coração bate a 100 por hora, com medo de ser a próxima vítima.

 

A polícia acha que é perseguição da imprensa, mas então por que tenho tanto medo de sair de casa? Por que meus amigos, minha família, meus colegas de trabalho sentem o mesmo? Será mesmo que é perseguição?

 

Uma coincidência. Esta semana fui ao shopping e me deparei com um carro blindado em exposição. Será mesmo só impressão de que a cidade está mais violenta ou realmente existe alguma relação?

 

Certamente não para a polícia que na semana passada garantiu em nossos telejornais que a criminalidade está sob controle e que teria inclusive reduzido 18% no ano passado. Não sei de onde tiraram esse número já que aqui na redação todos reclamam de nunca conseguir estatísticas sobre violência. A desculpa da polícia é que elas não existem.

 

A saída é contar os crimes um a um nos boletins de ocorrência das delegacias. Só nas primeiras semanas de janeiro, por exemplo, minha colega de redação e ex-estagiária, Amanda Pereira, contou nas páginas de O Liberal cerca de 20 homicídios. E assim vamos trabalhando os nossos próprios números.

 

Quanto à declaração do delegado Geral de que a criminalidade está controlada em Belém, é difícil acreditar, até porque durante o ano de 2008 nunca foram apresentados números. Enquanto isso, vivemos reféns do medo. Com medo de sair de casa, de ficar até tarde na rua. E torcendo todos os dias para não nos tornarmos a próxima manchete das páginas policiais.

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Mônica Maia é a coordenadora do PRO-TV. Ela se dedica ao jornalismo há 8 anos. Durante esse período, adquiriu experiência em televisão, rádio, internet e assessoria de imprensa. O primeiro contato com o meio televisão foi em 1997. Três anos depois integrou a equipe da TV Liberal como editora e produtora do 'Bom Dia Pará'. Em pouco tempo, foi promovida para a reportagem onde permaneceu durante três anos. Atualmente, exerce, também, a função de editora-executiva e atua no Jornal Liberal 1ª Edição.