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No dia 10 de fevereiro, assim como faço todas as manhãs antes de começar o trabalho na redação, fazia uma leitura dinâmica dos jornais do dia (dinâmica mesmo, me dou meia hora para olhar os jornais e os principais sites de notícia). Neste dia a coluna do advogado e jornalista Hamilton Gualberto me chamou atenção. Ela identificava nominalmente uma menor de idade vítima em um inquérito policial que apura a ocorrência de crime de pedofilia.
O fato gerou críticas do Sindicato dos Jornalistas que definiu a atitude como “irresponsável”. E eu concordo. Expor crianças, vítimas de qualquer ato de violência, é dar a ela um tratamento vexatório. Existe um estatuto que as protege e temos que respeitá-lo. O artigo 18 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), por exemplo, determina ser “dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.
Nesses casos também temos que levar em conta nossa ética profissional. É nosso dever defender os direitos do cidadão e não expô-lo da forma como foi feito. Isso também vale para as vítimas de ameaças de morte. Muitas vezes elas chegam até nós pedindo para denunciar que estão sendo ameaçadas. Esta semana mesmo, um trabalhador rural de Tucuruí, ameaçado por fazendeiros da região, disse que fazia questão de falar mostrando o rosto, pois na cabeça dele isso era uma forma de proteção. Na verdade não é.
A irmã Dorothy, por exemplo, veio até nós denunciar que estava sendo ameaçada por fazendeiros. Mesmo contra a vontade dela fizemos a denúncia sem identificá-la. Poucos meses depois ela foi assassinada. A morte da missionária voltou os olhos do mundo para os conflitos em Anapu, que continuam apesar de todos os nossos esforços para reprimí-los.
Sempre que nos deparamos com casos desse tipo temos um cuidado redobrado para não expor a vítima a um perigo maior, daí o cuidado de não mostrar seu rosto e nem mesmo identificar sua voz. Essa é uma discussão antiga em nossa redação. O que nos choca, muitas vezes, é ver que outros veículos não tiveram a mesma preocupação.
Mostrar o rosto de pessoas ameaçadas ou crianças vítimas de violência não é garantia de que elas estão a salvo só porque denunciaram o caso na TV Liberal. Não significa que os agressores serão punidos imediatamente. Nós exibimos essas denúncias para mostrar às autoridades do Estado a existência e gravidade do problema e que algo precisa ser feito. Mas sempre que fazemos isso buscamos agir com segurança, ética e respeito ao cidadão.
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