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Olá leitores!
O post anterior sobre violência gerou bons comentários. Realmente não sou a única que acha que a violência aumentou nesta cidade. Além das mensagens que vocês me enviaram também recebi muitos e-mails. Um deles é da amiga e mais nova leitora do blog, Thatiana Nakashima, que também está bastante indignada. Decidi, portanto, dividir a angustia dela com vocês. Acompanhem.
DESABAFO
Eu navegava pelo site da ORM, esperando encontrar algum local em que eu pudesse expressar toda minha indignação por esta terrível situação de insegurança que estamos vivendo. Por uma feliz coincidência cliquei para ler esse texto, e era VOCÊ.
Preciso explodir por alguns minutos, não agüento mais essa violência, não agüento mais esse permanente estado de guerra em que vivemos. Em qualquer lugar que eu vou é sempre a mesma angústia e desespero. Para entrar no carro estacionado na rua traço sempre uma estratégia de guerra contra o inimigo (ladrão): Ponho o pé para fora da casa, trabalho, padaria, lojas, etc.; olho para um lado; olho para o outro; olho para o outro lado da rua; se tem um carro parado ao lado do meu, não saio; abaixo; corro; abro carro; tranco a porta; arranco; nunca desço os vidros à noite; depois das 22h não fico parada nos sinais vermelhos; corro; corro... GRAÇAS A DEUS CHEGO EM CASA!
Dia desses, por volta das 19h40, fui ao médico com meu marido e quase tive um infarto de tanto correr com medo para chegar até o carro. Tudo isso porque o médico me contou que na esquina do consultório teve o trágico assalto a farmácia, no qual resultou a morte do Procurador da Prefeitura.
Como se não bastasse tudo isso para provocar esse meu estado de pânico, um novo episódio fez com que eu me sentisse obrigada a tomar alguma atitude, a gritar para que alguém realmente me ouvisse.
Nada mais óbvio que fosse perante a mídia. Meu marido foi mais uma vítima dessa pesada selvageria, pois entraram na empresa dele por volta das 03h da madrugada, renderam e amarraram o vigia; envenenaram os cachorros; e vasculharam o que puderam dentro do escritório. BASTA!
Não adianta fazermos passeatas silenciosas para cobramos o que nos é de direito. Precisamos fazer tal quais os argentinos ou os gregos. Temos que cobrar com mais veemência as providências do Governo do Estado. Vamos fazer panelaço na porta da casa da Governadora, ou na frente do Palácio do Governo em dias de semana, não nos sábados ou domingos. Precisamos incomodar, temos que buscar apoio de todos aqueles que foram incomodados com essa violência.
No final do ano passado, cerca de 12 mil bandidos receberam o indulto de Natal no Pará. Isso significa que, cerca de 12 mil bandidos vão ficar soltos nas ruas, pois essa ilusão de que vão voltar pra cadeia, não existe.
O Brasil como um todo e os Poderes em gerais são todos sistemas falidos que vivem maquiando as situações para enganar e prejudicar o povo. Esse tal de indulto de Natal é mais uma forma de ludibriar a massa ignorante, já que não se ouve falar com a mesma freqüência de antes sobre a superlotação nas cadeias. Alguém já parou pra pensar que o indulto de Natal é um mecanismo para diminuir a população carcerária e ter condições para receber vários outros presos?
É muito fácil para os Juízes, Desembargadores, Promotores, para a própria Governadora viverem tranqüilamente nessa cidade, já que vivem cercados de seguranças por todos os lados.
Vamos cobrar prestação de contas, temos que ter total conhecimento da aplicação do nosso dinheiro. E a Polícia? A Polícia tem que ser bem remunerada para não sentirmos insegurança maior em tê-los por perto. Quem nunca viveu ou escutou histórias de que a própria polícia sumiu com o produto do crime apreendido, ou que pediu um “agrado” por ter resolvido a ocorrência? O papel da polícia é nos dar segurança de forma ostensiva e preventiva, além de desvendar todos os crimes. Quando isso acontece, não fazem mais do que suas obrigações.
Várias foram as vezes que pensei em sair de Belém, procurar qualquer lugar do mundo para morar e criar meus futuros filho com dignidade humana, mas não posso permitir que me roubem isso também. Acho que quem deve mudar são as autoridades políticas, administrativas e modificar a cara dessa situação. Eu também sou filha dessa cidade, e eu quero continuar morando aqui, mas não aflita, em pânico e tremendo como estou hoje.
Qualquer um está à mercê dessa VIOLÊNCIA, qualquer um.
GRITEM! FALEM! REAJAM! ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS. THATIANA NAKASHIMA
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