A última parte da lista dos vinte e cinco melhores filmes de horror da década passada. Bool-sin-ji-ok, de Yong-joo Lee / Coreia do Sul, 2009 O filme teve pelo menos três títulos internacionais provisórios: “Scream”, “Disbelief Hell” e “Living Death”. Acabou sendo lançado como “Possessed”. O título original, que poderia ser traduzido como “inferno dos descrentes”, é o que mais faz jus à trama. A personagem “possuída”, irmã da protagonista, sofre por ser alvo da crença dos outros. Para uns, é uma santa, para outros, um demônio. Os cineastas sul-coreanos são especialistas em “genre-bending”, e Yong-joo Lee, que foi assistente de Bong Joon-ho no magistral “Memórias de um Assassino”, conduz a narrativa em formato de investigação policial. Não esperem sustos fáceis. “Possessed” é um filme de horror cerebral, com um roteiro instigante, que me fez lembrar os que o saudoso Nigel Kneale escrevia para a televisão inglesa.

À Prova de Morte (Death Proof), de Quentin Tarantino / EUA, 2007 Pés femininos, tratamento vip dado a um ator icônico em décadas passadas, mistura de gêneros, diálogos extensos, trilha sonora de primeira, nada de CGI... O universo “movie movie” de Tarantino é imediatamente reconhecível. Em “À Prova de Morte”, ele aplica o que aprendeu no livro “Men, Women and Chain Saws”, de Carol J. Clover, numa recriação sui generis dos slashers da década de 80, multiplicando a Final Girl, partindo a narrativa ao meio e coreografando perseguições automobilísticas nas quais dá vazão ao amor que sente pela profissão de dublê. Uma delícia.

Sigaw, de Yam Laranas / Filipinas, 2004 Assim como “O Sexto Sentido”, o filme de Laranas é estruturado em torno de uma revelação que deveria pegar o espectador de surpresa. O primeiro problema é que a revelação é previsível. O segundo, é que ela chega pouco depois da metade do filme, não no final, e Laranas não sabe que rumo tomar a partir daí. Se falha como roteirista, o cineasta filipino acerta no que mais interessa, a direção. Poucos filmes de horror atuais rivalizam com este no uso das locações e na criação de atmosfera. O próprio Laranas dirigiu a refilmagem americana, “The Echo”, de 2008, e merece elogios por ter ousado seguir um caminho diferente, mudando elementos importantes da trama e descentralizando a importância da revelação. Infelizmente, o resultado não ficou tão bom quanto o original.

Na semana que vem, falarei sobre alguns filmes interessantes que ficaram fora da lista e revelarei o que considero o pior filme de horror da década. |