Uma das minhas promessas de fim de ano foi escrever mais assiduamente para o blog. Comecei mal, já estamos no fim de janeiro, mas como o ano só começa pra valer depois do carnaval, estou no lucro. Neste primeiro post de 2011, vou responder a alguns comentários que deixei pendentes desde 2010.
O Cris queria saber o que achei de “Afinal, O Que Querem as Mulheres?”. Não acho nada, Cris, porque desisti da série no começo do primeiro episódio. Luiz Fernando Carvalho é um grande exemplo de que liberdade demais pode fazer mal para a saúde criativa. Saudade de “Os Maias”.
O Robson perguntou se eu incluiria “Seven” na lista dos melhores filmes de David Fincher. Sim, Robson, mas bem abaixo de “Zodíaco” e “A Rede Social”. Victor Rumjanek observou que “um ponto em comum de filmes de várias épocas diferentes é o final em que algum personagem vai em direção ao horizonte ou a câmera se distancia de um personagem” e indaga se há “algum motivo para este tipo de final ser tão usado assim, ao longo do tempo?”. Boa pergunta, Victor, e merece um texto à parte. Pode cobrar.
Lsm pediu que eu fizesse minha listinha dos dez melhores filmes do ano passado, mas acho essa tarefa cada vez mais sem sentido. Que critério adotar para selecionar o que pode entrar na lista? A data de lançamento do filme? Mas do lançamento onde? Há filmes que levam anos para chegar ao Brasil (e mesmo assim apenas em algumas cidades), outros que só são exibidos em mostras e festivais, e vários que chegam diretamente às locadoras ou caem, legal ou ilegalmente, na rede. Cinco dos dez indicados a melhor filme no Globo de Ouro, por exemplo, nas categorias drama e musical/comédia, ainda não estrearam por aqui.
Os melhores filmes que vi em salas de cinema no ano passado foram os das mostras do Centro Cultural Banco do Brasil, mais especificamente as de Yasujiro Ozu, John Ford e do faroeste espaguete. O diferencial dessas mostras, além da óbvia qualidade dos filmes, foi a exibição em película. Não que todos os espectadores que lotaram as salas tenham se preocupado com isso, mas alguns certamente estavam ali não para assistir pela enésima vez a “Rastros de Ódio”, nem mesmo para assistir a “Rastros de Ódio” na tela grande, já que a tela do CCBB é relativamente pequena, mas para assistir a “Rastros de Ódio” no esplendor da película.
Quando a sessão de um dos filmes do Ford acabou, ouvi um dos organizadores dizer para um amigo que nunca mais teria coragem de assistir ao filme em casa. Só no cinema e só em película, completou. Este ano, o CCBB promete uma retrospectiva completa da obra de Alfred Hitchcock. Em película, naturalmente. É uma benção, mas ainda acho pouco. Espero um futuro no qual esses filmes estejam sempre em cartaz em cinemas de repertório. Um futuro no qual eu possa decidir se saio de casa para assistir ao novo Michael Mann em digital, que sempre merece a tela grande, ou para rever “Rastros de Ódio”. Pela enésima vez, sim, mas em película.
Feliz 2011 para todos vocês.
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