10/05/2012 às 13h30
Diablo e Fall from Heaven
 

O RPG de ação mais esperado de todos os tempos será lançado no próximo dia 15. Tive a sorte de ser convidado para testar a versão beta e posso adiantar que 'Diablo 3' possui a mesma qualidade indefinível que garantiu o sucesso dos exemplares anteriores da franquia e que nenhum dos chamados 'Diablo clones' conseguiu reproduzir. É importante deixar claro que o rótulo 'Diablo clone' não tem, necessariamente, uma conotação pejorativa.

 

Alguns clones, aliás, são muito interessantes, como 'Sacred', pela criatividade na reconstrução dos arquétipos; 'Divine Divinity', pela mistura de 'hack and slash' com o formato 'sandbox' dos RPGs mais tradicionais; e 'Titan Quest', pelo refinamento gráfico.

 

Nenhum deles, contudo, seja seguindo fielmente a receita ou acrescentando novos temperos, descobriu o ingrediente secreto que só a franquia 'Diablo' tem. 'Titan Quest', por exemplo, talvez o melhor de todos os clones, perde muito do encanto depois de algumas horas de jogo, ao contrário da versão beta de 'Diablo 3', que completei três vezes, com personagens diferentes, e só fez aumentar meu apetite.

 

 

Mudando de gênero, foi lançado esta semana 'Warlock: Master of the Arcane', jogo de estratégia por turnos que é uma espécie de 'Civilization V' no mundo da fantasia. O primeiro jogo ambientado num universo fantástico a se apropriar da mecânica '4x' (eXplore, eXpand, eXploit, eXterminate) da franquia de Sid Meier foi o soberbo 'Master of Magic', de 1994.

 

'Warlock' não chega perto da complexidade e grandeza de 'Master of Magic', nem pretende chegar. Funciona mais como uma introdução ao gênero. Para quem quiser se aventurar num mundo infinitamente mais rico, sugiro a obra-prima 'Fall from Heaven II', o mod mais celebrado para 'Civilization IV'. Por ter modificado tanto o original, merece ser considerado um jogo à parte.

 

 

Para jogar 'Fall from Heaven II' é preciso ter 'Civilization IV' e sua extensão 'Beyond the Sword' instalados no PC. O pacote completo pode ser comprado por menos de dez dólares em sites como o Steam e o GamersGate. 'Fall from Heaven II' e seus modmods são de graça. Siga as instruções abaixo para instalá-los.

 

Baixe a última versão aqui e instale o patch, media files e Blue Marble:
http://forums.civfanatics.com/showthread.php?t=171398

 

Depois instale o 'More Naval AI', que faz bem mais do que o nome indica e funciona mais como um patch do que como um mod:
http://forums.civfanatics.com/showthread.php?t=357824

 

A versão mais recente do manual está aqui:
http://forums.civfanatics.com/showthread.php?t=265888

 

Minha sugestão é deixar os modmods para depois. Os melhores são 'Rise from Erebus', 'Orbis', 'Magister', 'Master of Mana' e 'Wildmana' (este último é a versão anterior e bem mais simples do penúltimo). Podem ser encontrados nos seguintes endereços:


http://forums.civfanatics.com/showthread.php?t=373629
http://forums.civfanatics.com/showthread.php?t=315887
http://forums.civfanatics.com/showthread.php?t=455111
http://www.masterofmana.com/
http://www.filefactory.com/file/1yj98bt8e7zv/n/Wildmana8_8.34Patch.zip

Divirtam-se.

 
 
 
21/03/2012 às 13h02
Dois filmes e um jogo
 

Sei que já passou muito tempo, mas queria dar duas palavrinhas sobre o Oscar deste ano. Pela primeira vez, senti tanto sono que mal consegui manter os olhos abertos durante a cerimônia. Tudo tão previsível. Quando Gary Oldman perdeu para Jean Dujardin, fui dormir. Não tinha mais para quem torcer. É verdade que Martin Scorsese concorria a melhor diretor e “Hugo” a melhor filme, mas, assim como os outros medalhões com trabalhos na disputa (Malick, Spielberg, Allen), o prêmio, se viesse, seria pelo conjunto da obra, e não pelo filme em si. Além disso, era um jogo de cartas marcadas para “O Artista”.

 

Os dois melhores filmes lançados lá fora no ano passado, “Drive” e “Tinker Tailor Soldier Spy”, que recebeu no Brasil o infeliz título hitchcokiano “O Espião que Sabia Demais”, não foram sequer indicados. Em dezembro de 2011, ao eleger “Drive” o melhor filme do ano, o crítico de cinema Peter Travers, da revista Rolling Stone, profetizou: “Dane-se o Oscar, que certamente esnobará ‘Drive’ por ser criativo demais, ambicioso demais e controverso demais para reconfortar o público”. Dito e feito. O filme de Nicolas Winding Refn recebeu apenas uma indicação, por edição de som.

 

 

Mas o que levou a Academia a esnobar “Tinker Tailor Soldier Spy”? O filme fez sucesso de crítica e, surpreendentemente, de público, apesar da construção elíptica, e brilhante, do roteiro. Pior para a Academia, que não prestou o reconhecimento devido a um filme perfeito, dirigido com maestria por Tomas Alfredson, na condução de um elenco impecável, liderado por Oldman, que teve a missão quase impossível de fazer o espectador se esquecer da atuação de Alec Guiness como George Smiley na série de 1979 produzida pela BBC. Missão cumprida. O Smiley de Oldman é tão inesquecível quanto o de Guiness.

 

Dois escandinavos, o dinamarquês Nicolas Winding Refn e o sueco Tomas Alfredson, provaram que é possível trabalhar nos moldes hollywoodianos do cinema de gênero sem perder o toque autoral, ao contrário de outro dinamarquês, Lars Von Trier, que pretende ser autor na marra, e nos legou um dos piores filmes do ano passado, “Melancolia”, que começa como comercial de sabonete e logo vira arremedo de “Festa de Família”, de seu compatriota Thomas Vinterberg, na época o mais promissor da primeira leva de cineastas do Dogma 95. Assim como no Oscar, não fiquei para o fim da festa e saí da sessão antes do fim da insuportável recepção de casamento.

 

 

Mudando de assunto, não considero “Drive” e “Tinker Tailor Soldier Spy” produções de 2012 por terem sido lançados aqui neste ano, bairrismo que deveria ter desaparecido com o surgimento da internet de banda larga, portanto ainda não tenho candidatos a melhor filme do ano. Mas já tenho a jogo do ano: “Crusader Kings II”. Assistam ao trailer abaixo e descubram a emoção que há por trás do que parece ser um simples mapa:

 

 
 
 
24/01/2012 às 15h01
Sangue e areia
 

'A violência nos interessa porque somos violentos', constata Eric Bentley em 'The Life of the Drama'. O que o leva a indagar se, em vez de ensinar aos aspirantes a dramaturgo as costumeiras regras dramáticas, não seria mais útil ensiná-los apenas duas, inerentes à natureza humana: 'se você quiser despertar a atenção do público, seja violento; se quiser mantê-la, seja violento de novo.' 

 

 

Não sei se Steven S. DeKnight, criador da série 'Spartacus: Blood and Sand', leu 'The Life of the Drama', mas ele e seus roteiristas certamente seguiram os princípios postulados por Bentley. 'Spartacus' é a série de televisão mais violenta já produzida. À primeira vista, parece não ser mais que um embuste destinado ao público do MMA, colorindo as intrigas de 'Roma' com os cacoetes visuais de '300'. Essa impressão pode até permanecer por alguns episódios, mas se lá pelo sétimo você ainda não estiver convencido de que 'Spartacus' é melhor que a série da HBO e que o filme de Zazk Snyder juntos, espere pelo oitavo, que revela a simetria na estrutura da trama. Se mesmo assim você não mudar de ideia, vá ver 'Glee', paciência.

 

'Roma' é uma boa série, mas em diversos momentos tenta disfarçar sua natureza pulp aspirando a uma grandeza que não está ao seu alcance e ampliando demais o foco narrativo. 'Spartacus' se mantém firmemente arraigado aos elementos mais básicos do drama e concentra a ação em três espaços: o palacete de Batiatus, o negociante que compra escravos para transformá-los em gladiadores, interpretado com garra por John Hannah; a escola de gladiadores, que ocupa o porão e o quintal do palacete; e a arena de Cápua, onde os gladiadores se enfrentam.

 

 

As personagens que habitam ou frequentam esse microcosmo cuidadosamente delineado se relacionam por linhas simples de ação, movidas por paixões claramente articuladas pelos roteiristas. Só quem muda, e muda para continuar sendo o mesmo, é o protagonista, Spartacus. Todos os que o cercam perseguem seus objetivos com a obstinação de personagens da commedia dell’arte. E nisso reside a energia dramática da série.

 

Se o visual vem, sobretudo, de '300', os responsáveis pelos efeitos especiais de 'Spartacus' rapidamente se apropriaram dos recursos do filme de Snyder e criaram um mundo delirantemente artificial, no qual a violência explícita não é ressaltada, e sim atenuada pelo grafismo quase abstrato dos 'freeze frames', da câmera lenta, das sobreposições e do sangue que esguicha na tela. Pela primeira vez, até mesmo o 'bullet time' mostra sua razão de existir.

 

Tanto o minimalismo dos cenários quanto os efeitos gerados por computador tem uma justificativa econômica: fazer a série parecer mais cara do que é. Mas quantas vezes são justamente restrições desse tipo que obrigam os criadores a exercitar sua imaginação? O último episódio da primeira temporada é um dos mais empolgantes e satisfatórios que já vi na televisão. 'Spartacus' é um triunfo da imaginação pulp, a TV em estado de glória, sem nunca tirar o pé da areia ensanguentada.

 

 
 
 
23/01/2012 às 14h02
Questão de estilo
 

O primeiro filme que vi de Nicolas Winding Refn foi 'Medo X', no Festival do Rio de 2003, se não me engano. O talento do diretor era óbvio, mas o filme poderia ter sido lançado como 'Quero ser David Lynch'. Depois assisti a 'Bronson' (2008), o seu momento 'Quero ser Stanley Kubrick', e a 'Valhalla Rising' (2009), seu 'Quero ser Terrence Malick'. Cheguei à conclusão de que Refn era um cineasta em busca de um estilo. Mas me enganei. Refn era um cineasta em busca de um roteiro, ou melhor, de um roteiro escrito por outra pessoa. 

 

Não por acaso, 'Drive', de longe o seu melhor filme, é o primeiro que não tem o roteiro assinado por ele. Refn é um diretor, não um roteirista. Desde que encontrou seu estilo, em 'Medo X' — depois de experimentar o naturalismo na trilogia 'Pusher' e em 'Bleeder'—, o dinamarquês precisava encontrar um material no qual seu estilo se encaixasse. 'Drive' passa longe de 'Quero ser Quentin Tarantino', 'Quero ser Walter Hill' ou 'Quero ser Michael Mann'. É o primeiro filme de verdade de Nicolas Winding Refn. Austero, rigoroso, frio como uma pedra de gelo e sem nenhum vestígio de perfumaria. Resta torcer para que ele passe a deixar seus roteiros na gaveta...

 

 
 
 
30/09/2011 às 07h46
A capital do thriller – 2000
 

 

Joint Security Area (Gongdong gyeongbi guyeok JSA), de Park Chan-wook


Pouca gente guardou o nome do diretor de “Shiri – Missão Terrorista”, o arrasa-quarteirão que mudou a história do cinema sul-coreano em 1999. Até porque Kang Je-gyu lançou apenas um filme depois, o elogiado “A Irmandade da Guerra”, de 2004. Com Park Chan-wook, a história foi outra. Sua fama internacional só chegou três anos depois, com “Oldboy”, mas quem viu “JSA” na época — lançado tardiamente em DVD no Brasil com o título “Zona de Risco” — sabia que estava presenciando o surgimento de um grande diretor. Não foi seu primeiro trabalho (Park já dirigira dois longas para a televisão e um para o cinema, além de um curta-metragem memorável, “Simpan”), mas “JSA” parece filme de estreante, no melhor sentido.

 

Desde a memorável abertura, que mostra uma coruja como a testemunha solitária do evento trágico que impulsionará a trama, até o passeio de câmera por uma fotografia na conclusão, que sintetiza brilhantemente o tema, o filme transborda inteligência e criatividade, tanto no estilo quanto na estrutura. Se “Shiri – Missão Terrorista” foi o primeiro blockbuster sul-coreano, “Joint Security Area” é um blockbuster de autor, raridade em qualquer canto do mundo. 

 

 

Die Bad (Jukgeona hokeun nabbeugeona), de Ryoo Seung-wan

 


Perdoem-me o lugar-comum, mas “Die Bad” é um soco no estômago. O longa-metragem de estreia de Ryoo Seung-wan me faz lembrar por que gosto tanto do cinema de gênero. É um mini-épico de baixo orçamento, rodado em 16mm ao longo de três anos e dividido em quatro segmentos com focos narrativos distintos. Cada segmento se sustenta sozinho, e não é por acaso. Foram sendo produzidos um a um e lançados como curtas-metragens. O terceiro, inclusive, foi premiado.

 

 

O surpreendente é que apesar de possuírem unidades estilísticas próprias, os quatro formam um todo maior que a soma de suas partes. Numa mudança de registro típica do cinema sul-coreano, o estilo irreverente do primeiro e do terceiro segmentos ganha contornos dramáticos no segundo e trágicos no último. O final é devastador. Ryoo dirigiu outros sete filmes de lá para cá, que merecem um texto só para eles, mas “Die Bad” continua sendo sua obra-prima.

 


 

 
 
 
13/09/2011 às 17h55
Deus existe
 

 

Parafraseando Camões, cesse tudo o que a nova musa asiática canta que outro valor mais antigo e mais alto se alevanta. Fui pego de surpresa pela notícia de que acaba de começar no CCBB, aqui no Rio de Janeiro, uma mostra com quinze filmes de Vincente Minnelli, todos em cópias de 35mm. Se fosse composta apenas pelos musicais, já valeria a pena, afinal Minnelli foi o maior diretor do gênero. Mas o que me deixou emocionado foi ver seus melodramas mais importantes na programação. O apanhado de thrillers sul-coreanos vai ter de ficar para depois.

 

Não sei onde foram parar os posts de 2009 e 2010 aqui do blog. Não estão no arquivo aí ao lado. Vou ver se os resgato com os administradores do portal. De qualquer modo, entre os posts perdidos havia um sobre o amor que sinto pelos melodramas de Minnelli. Sem máquina do tempo disponível, pedia a Deus a oportunidade de vê-los numa sala de cinema, em película. O milagre está prestes a se realizar. Amanhã, às sete da noite, assistirei a “Deus Sabe Quanto Amei” (Some Came Running, 58), um dos filmes da minha vida.

 

 

Ainda esta semana, será a vez de “Paixões sem Freios” (The Cobweb, 55), um exercício alucinante de mise-en-scène, com trilha sonora atonal de Leonard Rosenman, e de “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, o mais musical dos filmes não-musicais de Minnelli, uma obra-prima operística, comparável aos melhores momentos de Luchino Visconti, e tragicamente subestimada, de seu lançamento até hoje. Na semana que vem, finalmente poderei assistir na telona ao sublime “Herança da Carne” (Home from the Hill, 60), com dois dos meus atores favoritos, Robert Mitchum e Eleanor Parker.

 

Amo todos os musicais programados, mas o que mais quero rever, e pela primeira vez como deveriam ser vistos, em película e no cinema, são “Agora Seremos Felizes” (Meet Me in St. Louis, 44), um dos mais belos filmes do mundo; “A Lenda dos Beijos Proibidos” (Brigadoon, 54), geralmente considerado um musical menor na obra de Minnelli, mas pelo qual sou apaixonado desde criança; e “Gigi”, meu musical favorito e outro dos filmes da minha vida, talvez não por coincidência lançado no mesmo ano que “Deus Sabe Quanto Amei”, 1958.

 

 

Há outras maravilhas na mostra. A programação completa pode ser conferida aqui: http://mostravincenteminnelli.com.br

 

Deixo vocês com um dos momentos mais bonitos da história do cinema, não só dos musicais: http://www.youtube.com/watch?v=sISWPzEqHLQ

 

 

 
 
 
12/09/2011 às 15h19
A capital do thriller – 1999
 

 

Shiri – Missão Terrorista (Swiri), de Kang Je-gyu

 

O sucesso de bilheteria não veio por acaso. “Shiri” foi concebido para ser um blockbuster, um representante do gênero que Larry Gross batizou de “Big Loud Action Movies”. No final dos anos 80, o governo sul-coreano revogou as restrições à exibição de filmes estrangeiros. Quando o blockbuster de Kang estreou, portanto, o público local já estava acostumado a ver filmes de ação com perseguições frenéticas, explosões e efeitos especiais. Mas não “made in Korea”. “Shiri”, porém, não é uma simples cópia de produtos hollywoodianos. Trata-se de um caso de apropriação.

 

 

Se a receita é estrangeira, o sabor é tipicamente coreano. Kang permeou a ação com doses generosas de melodrama e contou com um elenco excepcional, com nomes que logo seriam mundialmente conhecidos, sobretudo Choi Min-sik (o Oh Dae-su de “Oldboy”), Kim Yoon-jin (que foi parar na ilha de “Lost”) e Song Kan-ho, que é a cara do cinema de gênero feito na Coreia do Sul, protagonista, entre outros, de “Memórias de um Assassino”, “O Hospedeiro” e “Sede de Sangue”. 

 

Nowhere to Hide (Injeong sajeong bol geot eobtda), de Lee Myung-se

 

De todos os filmes que fazem parte deste apanhado de thrillers sul-coreanos, este é o único que não consegui ver até o fim. Não por falta de vontade. Tentei assistir ao filme pelo menos três vezes, mas minha paciência tem limite e sempre desisto antes de chegar à metade. Lee Myung-se pensa que é Seijun Suzuki, mas esquece que antes de dirigir “Tóquio Violenta” e “Branded to Kill” o mestre japonês assinara mais de trinta filmes. “Nowhere to Hide” é um pastiche sem graça de um gênero que o diretor não domina, cheio de cacoetes formais mal digeridos do cinema de vanguarda dos anos 60 e da estética de videoclipes. Lee comparou seu trabalho ao de Monet. Quis fazer um filme impressionista, que flerta com a abstração do cinema experimental. Devia se dedicar à videoarte. 

 

 

 

Tell me Something (Telmisseomding), de Chang Yoon-hyun

 

A influência mais óbvia do filme é “Seven – Os Sete Crimes Capitais”, de David Fincher, lançado quatro anos antes, mas Chang Yoon-hyun também tinha Dario Argento na cabeça. “Tell me Something” é um giallo com tempero oriental. Um “whodunit” atmosférico pontuado por sequências de assassinato orquestradas com sensibilidade italiana.

 

 

Até mesmo os furos no roteiro podem ser justificados pela semelhança com os gialli, notórios por não se aterem a qualquer lógica narrativa. O thriller de Chang disseminou na Coreia do Sul o subgênero de filme policial que consiste na caçada a um serial killer e que rendeu, quatro anos depois, uma obra-prima: “Memórias de um Assassino”, de Bong Joon-ho.

 


 

 
 
 
Vanessa Liborio

Ronaldo Passarinho é documentarista, jornalista e tradutor. Assinou, por dez anos, a coluna ZOOM do jornal O Liberal, foi redator da revista Cinética e do Jornal do Brasil. Seus dois primeiros livros como tradutor devem ser lançados ainda este ano. Seu novo blog, Contos da Escuridão , traz traduções inéditas para obras-primas do horror e do sobrenatural

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