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CONFIRA: As fotos da galera que circula na night paraense
29/04/2008 às 16h00
A lista do supermercado

Meu padrasto é como 80% dos homens: finge que está ouvindo minha mãe. É também como 50% desse grupo de 80%: mesmo sem ouvir, concorda. E como 100% dos homens, não lembra que ela falou ou combinou algo com ele. Talvez por isso não lembrasse que naquele mês ele iria fazer o supermercado sozinho.

Descobriu faltando cinco minutos para sair às compras, após a clássica frase que sempre ouve: “tu esqueceste?”. Descobriu ainda que a mamãe já havia feito uma lista e entregue a ele. Seu Alzheimer é tão avançado que ele pegou a lista, provavelmente largou-a automaticamente no móvel mais próximo e ele nem sequer lembra que a lista existia. Claro, disse a ela que havia guardado e alguém mexido. Provavelmente os duendes mágicos que moram em casa, os mesmos que vivem escondendo as minhas coisas e as do meu irmão em meio à nossa bagunça. Outra teoria é que ele também possa ter Parkinson e, por isso, as listas, contas, boletos nunca parem em suas mãos – não duvido que se ele ler este texto comece a adotar a desculpa. 

O fato é que minha mãe, já no grau avançado de histerismo, depois de esculhambá-lo por quase 40 minutos, preparou outra lista rápida com o que se lembrava. E lá foi meu padrasto para o supermercado.

Como já era de se esperar (homens...), ele faz a primeira ligação para esclarecer uma dúvida.

- Ô, Carla, como é esse fermento?
- Do único jeito que pode ser. É um potinho amarelo, ora!

Coisa de 15 minutos depois, o telefone toca de novo.

- Carla... Er, eu achei o fermento, mas não tem de baunilha?
- FERMENTO DE BAUNILHA? Não existe fermento de baunilha, desmiolado.
- Aqui está escrito “fermento de baunilha”! – Enchendo-se de razão.
- Volta pra alfa. É FERMENTO E BAUNILHA! E! E!

Desliga o telefone, já com a macaca. Mas eis que ele toca de novo. Mamãe já prestes a cometer o Haraquiri, atende.

 - ALÔ!
- Calma... É pra avisar que achei o fermento, a baunilha. Só não tem a essência.
- A essência é de baunilha. É de baunilha!!!

O telefone já está prestes a ir para o conserto, mas sobrevivendo bravamente às tantas porradas que levou, toca mais uma vez. É quando mamãe se prepara para receber o troféu Culhão de Diamante.

- O que foi agora?!
- Agora tem outro problema.
- Não me diga!
- Não acho esse fermento de pão. Esse eu não acho.
- É porque ele não existe.
- Mas aqui tá escrito “F ponto pão”
- É FARINHAAA! FARINHAAAAAAAAA, ANIMAL!
- Assim fica difícil, Carla. É farinha de pão ou animal?

E assim meu padrasto conseguiu nunca mais voltar ao supermercado sozinho.


18/04/2008 às 16h00
Beatrice quer o céu

Beatrice agora quer o céu. Desde que nasceu teve tudo que sempre quis e até mesmo o que jamais sonhou ou sequer sabia que queria. Literalmente, nasceu em berço de ouro. As melhores bonecas, todos os lançamentos de brinquedo, estilistas desenhavam seus vestidos e assinavam suas fraldas. Aniversários memoráveis com cascatas de bolo e piscina de chocolate, Cirque de Soleil para mais de mil convidados, crianças que ela nem mesmo sabia o nome ou tinha visto na vida.

Beatrice foi crescendo e aprendeu a sonhar e a ter suas próprias vontades. “Quero um carro cor-de-rosa igual ao da Barbie”. Seu desejo era uma ordem. Era invejada pelas coleguinhas e isso, ela também aprendeu a gostar. Freqüentava a melhor escola até decidir que não queria mais ir para a aula. Estudava em casa, na hora em que bem queria e seus professores, munidos de paciência – e bom pagamento – a esperavam com resignação. Tinha tudo e não sabia mais o que pedir.

Certa hora começou a testar o pai. “Quero um jardim só meu, igual ao da Alice no País das Maravilhas”. Em pouco tempo, Beatrice corria pelos campos verdes e brincava de esconde-esconde com o gato, tomava chá com a rainha de copas, estrangulava os flamingos para distrair o tempo e perseguia o coelho branco até cansar. Logo, o tédio a vencia. O prazer da conquista durava pouco. Foi a Disneylândia, Disney World de Tóquio e outros parque tantas vezes que se enfastiou. “Quero um parque melhor que esses!”. O pai movimentava o mundo para sua doce Beatrice. E lá estavam seus amigos correndo pelo parque nos fundos de sua casa, com os olhos arregalados, afoitos como animais, perdendo-se entre montanhas russas gigantescas, monumentais rodas gigantes, lambuzando-se com os doces mais deliciosos, sem perceber os olhares famintos dos fotógrafos que tentavam, em vão, esgueirar-se pelas grades do imponente palácio onde morava Beatrice. E a menina observava a tudo da torre de seu quarto, munida de um sorriso amarelo e alguma monotonia.

Quando Beatrice, sem mais saber o que pedir, já se entregando a depressão e à profunda tristeza, encomendou o céu ao pai. Foi um alvoroço! Vendo as lágrimas da filha, o homem só pôde tomar uma decisão: precisava dar-lhe o céu a qualquer custo. Um batalhão de homens foi chamado para a missão. O pai mandou fazer uma escada que superava até mesmo a altura do pé de feijão de João, a história que sua filha mais gostava. Degrau a degrau, os homens foram subindo munidos de uma tesoura e uma grande caixa para guardar o céu. Mas era impossível alcançá-lo. Havia batalhões em cada canto do mundo escalados para capturar o céu. Na Tailândia, em Marrocos, no Canadá, nas ilhas Fuji, no Alaska, em Pequim, em Veneza, em Praga, na Patagônia, no deserto do Atacama, em Nova York, no Himalaia e até mesmo em Feijó, interiorzinho do Acre. Mas o céu era infinito. As autoridades, a ONU, o Papa, todos foram mobilizados. Campanhas milionárias internacionais foram encomendadas e até plebiscitos e abaixo-assinados pararam o mundo para decidir se o céu poderia ser dado de presente à garota, e ganhar seu nome. A Nasa foi contactada e uma estação espacial batizada como Beatrice foi mandada ao espaço, para ficar em órbita ao redor da Terra. Um documento oficial foi entregue à garota e ela ganhava também uma estrela. Beatrice agora tinha o céu, o espaço, estrela, muito mais do que esperava e um certo ar de insatisfação no rosto, que tentava disfarçar frente a tantos esforços do pai.

Mas ela continuava cabisbaixa, sorumbática, com a inexorável expressão apática que tanto preocupava o homem. Em um domingo ensolarado, acordou com um desejo, mais um. Escreveu, como de costume, em um pedaço de papel e mandou que entregassem ao pai. Ao ler o pedido da filha, em meio à cúpula responsável por atender aos pedidos da menina, o pai tomou um susto. Beatrice nunca havia pedido algo tão grandioso, de valor incomensurável e que seus homens de confiança jamais encontrariam à venda em lugar nenhum. Talvez esse fosse único desejo que o pai não saberia como realizar. Sentou e chorou. Beatrice queria amor.


09/04/2008 às 17h00
Sete coisas que você ainda quer saber sobre as mulheres, mas ninguém explicou a verdade

Dia desses recebi um e-mail de um amigo com o seguinte título: “sete dúvidas fundamentais sobre as mulheres, que os homens, por mais que pesquisem, não conseguem entender nem que a vaca tussa”. Ora, ora essa é velha, hein, meu amigo, e não estou falando do tema batido. Desde quando homens entendem o doloroso universo feminino? Aliás, homens e mulheres foram feitos para, mutuamente, se questionarem sobre seus respectivos dilemas.

As dúvidas que meu amigo enviou eram clássicas, os mesmos questionamentos de uma eternidade. Creio que o primeiro homem a se questionar sobre a ida em dupla das mulheres ao banheiro data da pré-história, segundo hieróglifos contidos numa caverna que servia de mictório. O engraçado é que parece que até hoje as inúmeras respostas dadas às tais perguntas não foram satisfatórias para os homens. Eles continuam tentando nos entender.

Incontáveis teorias sobre o mundo da luluzinha são publicadas em impressos, na internet, na TV e mesmo assim acredito: são todas furadas. Munida de alguma paciência e muita honestidade respondi ao meu amigo. Sim, este é mais um texto que tenta esclarecer um pouco para os homens peculiaridades simples a nosso respeito. Portanto, se você não quiser saber, nem continue lendo! Mas se ainda tiver alguma esperança de que um dia vai nos desvendar, vá em frente. Espero que dessa vez, parem de nos atormentar com essas dúvidas, afinal você continuam coçando o saco há milênios e ninguém pergunta quando é que vocês vão resolver lavá-los direito de uma vez por todas.

- Relação sutiã x calcinha
É comum observar em lojas de departamento que as mulheres têm o costume de adquirir em uma mesma compra dois sutiãs e cinco ou seis calcinhas. Tal relação numérica permanece obscura diante da capacidade masculina de entender tais conceitos. Usariam as garotas um mesmo sutiã por quatro ou cinco dias seguidos sem lavá-lo?
Como vocês arrancam nossas blusas de uma vez sem sequer olhar que nosso sutiã combina com a calcinha (conjuntinhos que durante anos compramos em dezenas especialmente pra vocês e vocês nunca repararam), resolvemos agir de forma inteligente: compramos menos sutiãs e assim podemos repeti-lo ou usar sem fazer conjunto com a calcinha! Vocês nunca vão reparar mesmo! Mas pode ter certeza que o dia que estivermos com o sutiã mais velho e furado será o dia que vocês vão querer vê-lo.

- Idas em dupla ao banheiro
Analisando friamente casais amigos durante uma balada, é perceptível o fato de que as moças costumam convidar umas as outras para irem juntas ao banheiro. Mas na real o que elas fazem juntas dentro do W.C.?
Vamos por partes: homens vão ao banheiro, arreiam a calça, esticam o peru, fazem xixi, balançam e vão embora. Já mulheres vão ao banheiro, seguram a bolsa com a boca ou a penduram no pescoço, se equilibram na posição da dança da bundinha para sentar no vaso, seguram a calça ou a saia com uma das mãos, para que ela não arraste no chão molhado e sujo, e com a outra se apóiam na porta que, provavelmente não tem tranca. Claro que o celular toca nessa hora e uma outra mulher histérica está batendo na porta porque estamos demorando. Ainda falta uma mão para nos limparmos, mas, opa! Não tem papel, claro. Nesse caso ficamos pulando pra secar. Quando tem papel, apelamos para a testa: sim, é ela que segura a porta enquanto nos limpamos. Ah, o celular continua tocando e ainda estão batendo na porta. Então, precisamos ou não levar alguém com a gente? É muita missão!
E não, não é para falar de homens que vamos juntas ao banheiro! NÓS FALAMOS DOS HOMENS NA FRENTE DELES E ELES NEM PERCEBEM!
 
- Mistérios da menstruação
Enquanto algumas mulheres parecem nunca menstruar, outras possuem o hábito de permanecer de TPM durante 25 dias do mês. Mas afinal de contas, o que acontece com os hormônios dessas garotas durante esse intrigante período de suas vidas? Nunca conheci uma mulher solteira com TPM. Isso responde à dúvida?

- Depilação: a tortura pós-moderna
Ainda é difícil de acreditar que as mulheres se sujeitem a verdadeiras sessões de tortura que consistem na depilação. Seja com cera quente, cera fria ou gilete, é complicado para o homem entender como alguém consegue periodicamente participar desse tipo de ritual (apesar de todos apreciarem os resultados!).
“É complicado entender como alguém consegue periodicamente participar desse tipo de ritual”. Seus hipócritas. Os homens são os primeiros a comentar sobre a “mata atlântica” da sua parceira. A culpa é de vocês! É de vocês! Se vocês não se importassem, nunca mais nos depilaríamos, nunca mais! As mulheres das cavernas eram cabeludas e nem por isso deixaram de dar umazinha! Mas não seremos primitivas, apesar de vocês, homens, levarem cinco meses para aparar o cabelo ou a barba.

- Cuidados com os cabelos
Um homem não precisa de mais do que um sabonete comum para tirar a sujeira do cabelo. Porém, para grande parte das mulheres, o box acaba virando uma espécie de depósito de marcas e patentes de xampus, condicionadores e produtos relacionados. Mas pra quê elas precisam de tantos tipos se, no final das contas, cabelo é tudo igual?
Como cabelo é tudo igual? Imaginem a Elba Ramalho. Ela é famosa, quantos produtos ela não deve usar (e o pêlo continua daquele jeito, imagina se não usasse nada!) Vocês acham que ela pode usar o mesmo pente que a Malu Mader? Ele nem entra naquele cabelo! Do mesmo jeito que os homens possuem setecentas pastas, ceras e fluidos para o carro, que pra nós só precisa de uma água, sabão e acabou-se. Até porque vocês cuidam mais do carro do que do cabelo.

- Fascínio por sapatos
Seguindo o mesmo raciocínio utilizado no caso dos xampus, grande parte das garotas desenvolve uma relação íntima com calçados em geral. Sapatos, sapatilhas, sandálias, chinelos... Não importa. Elas são fascinadas por esse tipo de peça e podem gastam verdadeiras fortunas adquirindo novos modelos (que aos olhos masculinos parecem desconfortáveis ao extremo). Por quê?
Os homens também têm fascínio por sapatos: todos amam ver mulheres se beijando. E alguns têm como sonho de consumo ter uma namorada bi! Então, sapato por sapato, estamos empatados.

- Ojeriza e medo de baratas
Mais do que um clássico feminino, o medo de baratas ultrapassa gerações e persiste como um dos grandes males relacionado às mulheres. E a grande questão permanece: como é possível temer uma criatura minúscula que não possui veneno, ferrão, espinho ou mandíbula afiada? Do mesmo jeito que vocês têm medo de bebês! Minúsculos, sem veneno, ferrão, espinhos ou mandíbula afiada. Ora, ora.

Carinhosamente para meu amigo Ricardo Oliveira, que me mandou as perguntas por e-mail. O autor, não sei se é ele, mas a dúvida é da humanidade.


Luly Mendonça tem 27 anos, e há três escreve para o PortalORM. Perfeccionista como todo virginiano, mentirosa como todo publicitário.
É redatora publicitária, repórter e coordenadora da Revista Estilo Patio Belém, dona de brechó e aspirante à escritora. Tudo o que você falar poderá ser usado contra você em uma de suas crônicas. Cuidado!
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