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CONFIRA: Salas de Chat
06/10/2009 às 08h00
Mulheres...

Pedro era lindo. Rosto, cabelo e corpo. Um pouco machista, vai. Mas para Dalila aquilo era até charmoso. Ele implicava com algumas roupas, ficava enciumado com seu passado e achava que algumas amizades podiam influenciá-la. Ela fazia charminho, desconversava, sentia o ego macio como um veludo e o dobrava, afinal, sempre fora correta e de personalidade forte. Não se deixava levar por ninguém, amigas ou mesmo namorado, tinha princípios e nunca fora do tipo submissa.

Dalila era sui generes. Amava postais, francês, comida orgânica, gatos, xales da avó, roupas de brechó, babados, saias rodadas, gengibre, sementes de linhaça, chá e tango. Pedro era fã de U2, futebol e tinha uma banda quando era mais novo. Mas Pedro a conquistara rápido, nem ela sabia explicar. Dalila passava o dia ouvindo U2 para se lembrar do amado. “Love is a temple, love a higher law. Love is a temple, love the higher Law...”. Comprou os cd´s que ele não tinha e lhe deu de presente, foi ao estádio com ele, vestindo a camisa do Flu, xingou o juiz, sempre sem perder a classe, parcelou de 12 vezes uma passagem para acompanhar Pedro quando Bono veio ao Brasil, assistia ao campeonato na TV enquanto ele tomava chá de gengibre com sementes germinadas. Por anos.

O despertador de Pedro tocou novamente. Dalila queria atirar o telefone na parede e esganar o namorado. Como pode uma criatura acordar feliz ao som de ‘uno, dos, três, catorze! Hello, Hello!’. Ele nem se mexe enquanto Bono Vox grita ao telefone, e ela sempre tem que acordar sobressaltada e passar o celular pra ele. Mas ele põe na função soneca. Toca de novo. Dalila odeia soneca. Dalila odeia Bono. Odeia ter gasto 2 meses de salário para ir ‘àquele show de merda’, como ela cansou de jogar na cara de Pedro. Odeio futebol. Odeia homens que gostam de futebol. Mas odeia mais o Bono. Teve uma conversa definitiva com o namorado: ou ele troca de celular e de gosto musical ou troca de namorada. Naquela casa só entrava tango.

***

“Imita o Silvio, vai, por favor!”. Nelinha tinha convulsões de tanto rir ao ver o novo amado fazendo a sua versão do Silvio Santos. “Oe, Oe, má vem pra cá voxê”. E ela caia na gargalhada. Finalmente alguém com a sua cara, como ela queria: diferente, divertido, cheio de estilo e lindo! Jogava tênis, tocava bateria, usava dread no cabelo. Tinha uma banda. Andava de bicicleta ou a pé porque era preocupado com o meio ambiente. Ela achava tudo isso o máximo.

Na mesma semana já estava enfurnada na casa dele. Era o máximo ficar na casa dele, tinha uma máquina de fliperama linda, jogavam toda hora. Ela topava todos os convites. Pra cima e pra baixo com ele. Primeira dama da banda. Ele era mais novo, mas era tão gostoso... E maduro. “E o Silvio?”, “Má roda, roda e me dá um beijo, Oe!”. Nelinha não agüentava, às vezes ria sozinha ao se lembrar do namoradinho imitando o apresentador. Ele fazia tudo que ela queria, principalmente quando via que ela gostava e se divertia, se apaixonou, queria levá-la a sério mesmo, muito carinhoso. Era perfeito. Mas havia alguma coisa errada. Como um cara não tinha fogão, nem geladeira? Preferiu comprar fliperama, ele dizia. Como assim, um cara dessa idade jogando fliperama o dia inteiro? E esse trabalho de só cantar em uma banda e jogar tênis? Andar de bicicleta? Nelinha não ia ficar andando de bicicleta por aí. Não senhor. E outra coisa, essa história de ficar imitando o Silvio o tempo todo broxa. Que mico, meu Deus.

     ***

Outra vez na casa de um cara lindo e gostoso que Vicky conhecia na festa. Com um amasso daqueles não dava pra resistir. “Você é linda demais. Você é exuberante. Inteligente. Uma das mulheres mais interessantes que conheci.”. Ela se derretia e ia tirando a roupa. De lado, de quatro, de frente, de bruços. Melhor sexo de sua vida dos últimos tempos. “Me liga”, ela disse fechando a porta do apartamento, depois de muito lutar pra sair dali. Ele não queria deixá-la ir de jeito nenhum. Vicky nas nuvens. Um dia, dois dias, três, duas, uma semana, um mês. O cara nunca ligou. Vicky frustrada. “Poxa, mas ele disse que eu era o máximo. Qual o problema? O que fiz de errado?”.

O outro já não era tão bonito, mas com tanta inteligência e elogios fez Vicky esquecer a frustração do último cara e o sentimento de abandono. Ele falava várias línguas e a língua dela. Viram que combinavam na primeira noite e depois de uns copos, ele ficara mais charmoso. E que bundinha. Nem chegaram a casa dele, foi ali na garagem do prédio dela mesmo. Meio vestido, meio por cima, meio selvagem, muito escondido. Ele ‘nunca havia gozado daquele jeito e ela tinha que passar a semana toda com ele na casa de praia dele’. Ela topou na hora. Ele não ligou. Ela caiu de cama. Uma semana depois, toca um número estranho. Era ele! “Tive que ir as pressas pra São Paulo, não deu pra ter avisar. Tô com saudade, vamos nos ver?”. Ela deu um pulo. Que maldade pensar que eles são todos iguais, o cara tava viajando, não deu pra ligar, ele não é como o outro. Saíram, mas não pro restaurante como ele falou, foram pro motel. Era muita saudade. “E a casa de praia?”, “Vamo esse fim de semana logo”, ele falou. E nunca foram, e nunca mais ele ligou. Filho da p***.

Quando Vicky conheceu esse cara mais novo, o terceiro, nem deu papo quando ele disse que ela era linda e que ele tava hipnotizado. Ela fez doce a noite toda, mesmo ele sendo um gato. Moleque novo, ela pensava, vai dar trabalho, só quer me comer também. E muitos drinks e muito papo. Ele começou a surpreender. Era esperto e educado. Tinham o mesmo signo, fazia o mesmo curso e ele já trabalhava, enquanto ela só fazia estágio. Conheciam muitas pessoas em comum e curtiam as mesmas bandas. Foram pra casa dele, ele morava com os pais “mas eles tão viajando”, ele falou. Vicky hesitou muito, enrolou, enrolou até sair do bar com ele. Chegou lá, ouviram vinil. E ela enrolou. Ele tentando. Ela embaçando. Até que já meio de pilequinho, deu. Chão da sala. Ele pediu pra ela dormir, mas ela tinha que ir. Nem deu o telefone dessa vez pra não se frustrar. Mas ele ligou dois dias depois.

 “Quem?”, “Sou eu, peguei teu número com o amigo do amigo do primo do vizinho do teu colega”. Queria convidá-la pra sair. Ela inventou uma desculpa. Ele continuou ligando. Barzinho? Não. Ópera? Não. Reunião da casa dos amigos? Não. Cinema? Não. Saudade. Almoçar comigo e minha família? Cai fora. Vicky parou de atender. Não dava pra entender os homens, faziam de tudo pra dar umazinha...

 

P.S: Queridos leitores, agora eu também tenho twitter! Sigam-me os bons! @lulymendonca


Luly Mendonça tem 27 anos, e há três escreve para o PortalORM. Perfeccionista como todo virginiano, mentirosa como todo publicitário.
É redatora publicitária, repórter e coordenadora da Revista Estilo Patio Belém, dona de brechó e aspirante à escritora. Tudo o que você falar poderá ser usado contra você em uma de suas crônicas. Cuidado!
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