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Déborah Unger: o combate ao câncer de pele

Quase 80% dos paraenses não se previnem contra o câncer da pele. Esse nnúmero é resultado de uma pesquisa realizada em 2008, durante a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele. A pesquisa ouviu 798 pessoas do Estado, sendo 262 homens e 536 mulheres e constatou que 79,4% não usam protetor solar devidamente.

Segundo a dermatologista Déborah Unger, coordenadora da campanha no Pará, os números são alarmantes, e a prevenção ainda é o melhor remédio. Realizada anualmente, a Campanha promove um mutirão para alertar a população sobre os cuidados com a pele. Este ano o atendimento acontece no sábado (05), no Hospital das Clinicas, em Belém.

Na entrevista desta semana, Déborah fala mais sobre esses índices e dá detalhes de como manter uma pele mais saudável. Leia!

Portal ORM  - Que atendimentos serão realizados este ano durante a Campanha?

Déborah Unger - A Campanha Nacional do Câncer da Pele é promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia anualmente com vários postos de atendimento nas regionais. Será dia 5 de dezembro em todo o Brasil. Em Belém haverá um posto de atendimento que é no Hospital de Clínicas Gaspar Viana, na rua Alferes Costa de 08 as 16 horas. Durante todo o dia haverá médicos dermatologistas para fazer o atendimento, e se houver necessidade, procedimentos cirúrgicos para remoção das lesões.

Portal ORM  - Quem poderá participar?

Déborah Unger - O atendimento será gratuito e voltado a todas as pessoas que tenham lesões de pele que possam sugerir câncer ou aquelas que têm dúvidas sobre alguma lesão. Além disso, iremos trabalhar com informações sobre os cuidados com a pele e esse serviço poderá ser utilizado pela população em geral.

Portal ORM  - A que é atribuída a falta de proteção do paraense?

Déborah Unger - Principalmente à falta de informação sobre os danos que a exposição solar ocasiona ao longo dos anos. Podemos também relacionar essa falta de consciência ao poder aquisitivo da população que muitas vezes não tem disponibilidade financeira para tal, e tem que muitas vezes abrir mão da proteção por conta do alto custo dos protetores solar.

Portal ORM  - A partir de que idade deve-se começar a se preocupar com as doenças da pele?

Déborah Unger - Muita gente não sabe, mas o cuidado deve ser iniciado na infância, já que a radiação ultravioleta tem efeito cumulativo, o que faz com que no futuro, na idade adulta, surjam lesões decorrentes de toda a exposição do passado. Por isso, a partir dos 6 meses de idade já é recomendado o uso do protetor solar.

Portal ORM  - A ANVISA acaba de proibir o uso das câmaras de bronzeamento artificial. De que forma elas interferiam na saúde da pele?

Déborah Unger - Os estudos recentes mostraram que o risco de câncer da pele aumenta em 75% quando as pessoas começam a usar as câmaras de bronzeamento antes dos 30 anos de idade. A partir daí, a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem considerado as câmaras como carcinogênicas de grau, isto é, categoria máxima de risco de câncer. Deixaram então de ser 'prováveis cancerígenas' para representar uma causa concreta de câncer da pele. Além do câncer, a exposição aos raios ultravioleta A também afeta o sistema imunológico, podendo ocasionar outros males, como o desenvolvimento de herpes, foalergias, dentre outros.

Portal ORM  - Quem tinha o hábito de realizar esse tipo de procedimento, que cuidados deve tomar agora?

Déborah Unger - Se a pessoa não apresentar nenhum sintoma, os cuidados continuam sendo o uso correto dos fotoprotetores com reaplicação a cada 3 ou 4 horas, uso de chapéus, óculos e roupas adequadas. Salvo alguns tipos de câncer da pele que tem influência genética, a maioria pode ser evitado completamente, já que são conhecidas as suas causas e a forma de prevenção.

Portal ORM  - Somente o uso de protetor solar é suficiente? Há outras recomendações?

Déborah Unger - O ideal é utilizar fator de proteção a partir de 30 e que faça a proteção para radiação ultravioleta A e B. Além disso, é importante que a pessoa aplique o produto repetidas vezes durante o dia conforme a atividade exercida. Por exemplo, na praia, a cada 2 horas é necessário que se faça a reaplicação. O uso de bonés, sombreiros, óculos escuros e roupas adequadas também ajuda na proteção da pele. Para as pessoas que trabalham expostas ao sol é importante o uso de roupas de manga comprida, apesar do calor. Elas são as mais indicadas para ajudar na proteção da pele. 

Portal ORM  - Como detectar os primeiros sinais da doença da pele?

Déborah Unger - Ficar atento ao aparecimento de feridas que não cicatrizam, manchas com diferentes colorações, lesões que sangram e crescem progressivamente, entre outras mudanças ou reações da pele. Esse é o tipo mais comum de câncer da pele, o carcinoma basocelular, que felizmente tem melhor prognóstico, sendo curável quando tratado precocemente.

 
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